Reportagem publicada na Revista Veja Edição 1 619 - 13/10/1999
Zyban, o antidepressivo que ajuda a acabar
com o vício do fumo, chega ao Brasil
Lucila Soares
Insônia, nervos à flor da pele, fome desesperadora, quilos a mais. Quem já tentou parar de fumar entende por que a maioria das pessoas sucumbe diante do desafio. Daí o frisson provocado pela descoberta do efeito de um antidepressivo chamado bupropiona sobre o desejo de fumar. Esta substância é a base do Zyban, o primeiro medicamento eficaz contra o tabagismo que não contém nicotina. Lançado nos Estados Unidos há dois anos, o remédio começa a ser vendido no Brasil neste dia 13. Até então, o que se tinha de melhor eram as terapias de reposição de nicotina, como adesivos e chicletes. Elas agem reduzindo gradualmente a dose diária de nicotina no organismo e têm sucesso em 16% a 36% dos casos. Nada que se compare à eficiência do Zyban, que funcionou com 50% dos pacientes americanos, segundo dados da Glaxo Wellcome, que produz o medicamento.
O remédio age diretamente sobre a área do cérebro que regula as sensações de recompensa e prazer. Com isso a vontade de fumar é reduzida. Os pacientes tratados com Zyban tiveram um aumento de peso 50% inferior ao registrado em outros tratamentos. O retorno ao vício se mostrou igualmente menos intenso. "Foi uma reviravolta nos tratamentos", diz Analice Gigliotti, chefe do setor de dependência em nicotina da Santa Casa do Rio de Janeiro. A descoberta dos efeitos da bupropiona sobre o desejo de fumar ocorreu por acaso, quando se percebeu que pacientes em tratamento antidepressivo reduziam o cigarro. Os melhores resultados são obtidos em tratamentos que associam a bupropiona à reposição de nicotina e ao acompanhamento terapêutico. Esta é, aliás, a grande constatação dos especialistas. Qualquer remédio é só uma parte do processo para reduzir a síndrome de abstinência. O fumante precisa de apoio para enfrentar a mudança de comportamento que vem a reboque da decisão de deixar o cigarro. O paciente precisa aprender a identificar e desarmar os gatilhos, como o inocente chopinho, que detonam a vontade de fumar. Apenas 5% dos fumantes conseguem livrar-se do vício sem apoio externo. A verdade imutável, com todos os avanços da ciência: parar de fumar depende, fundamentalmente, do fumante
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