Estresse dificulta luta para abandonar o cigarro
Quem já tentou parar de fumar conhece bem as dificuldades: sudorese,
tonturas, insônia. Mas os especialistas garantem que, por mais incômodos, os
sintomas da chamada síndrome de abstinência são os mais fáceis de serem
controlados nos que pretendem largar o vício. “Hoje, vários produtos de
reposição da nicotina, como os adesivos cutâneos, dão bons resultados. O
problema maior é tratar o dependente emocional (e não o físico) da
nicotina”, diz a psiquiatra Analice
Gigliotti.
A médica coordena um programa antitabagismo
na Santa Casa de Misericórdia, que acaba de traçar um perfil do fumante
carioca . “Vimos que 70% dos dependentes fumam mais sob estresse ou
ansiedade”, constata.
O depende emocional é aquele que precisa, por exemplo, acender um cigarro no
bar, depois do almoço ou em qualquer saída em grupo. “O tratamento desse
paciente é mais complicado e envolve mudança total de hábitos: aprender
outras maneiras de administrar a ansiedade, parar de beber café e álcool,
escovar os dentes logo após as refeições”, ensina Analice,
que participa do 1 º Simpósio Internacional sobre Tabagismo, na semana que vem
no Rio.
Cientistas do Grupo de Pesquisas sobre o Fumo, da Universidade de Pittsburgh
(EUA) têm opinião igual à da especialista, e elaboraram recentemente uma
lista com outros conselhos aos dependentes emocionais do cigarro, que desejam
deixar o hábito.
Entre as principais dicas estão: comentar com todos sobre a decisão e pedir aos amigos que não fumem por perto; procurar se relacionar com pessoas na mesma situação; jogar fora cinzeiros, maços, limpar casa e roupas, com o objetivo de remover o cheiro de cigarro do ambiente; fugir das situações de risco (ir ao cinema em vez de a um bar) e se auto-oferecer prêmios, fazendo uma coisa agradável por cada dia sem fumar.
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